Notícias

O Grupo Tordesilhas, uma rede acadêmica de universidades do Brasil, Portugal e Espanha para a promoção da cooperação em ciência e tecnologia, acaba de inaugurar a disciplina Medicalização do Viver e do Sofrer: um Problema de Saúde Pública. Coordenada pela diretora do Doctorado Internacional da Universidad Miguel Hernández (UMH), Profa. Maria Pastor, a disciplina inaugura uma colaboração internacional no ensino de pós-graduação, como parte das atividades do Colégio Doutoral Tordesilhas de Saúde Pública e História da Ciência.

Como estratégia de promoção da ciência e da tecnologia, o Grupo Tordesilhas - que reúne mais de 70 universidades do Brasil, Portugal e Espanha -  trabalha com os chamados colégios temáticos, sendo que o Colégio Doutoral Tordesilhas de Saúde Pública e História da Ciência é uma dessas iniciativas. Criado em 2017 sob coordenação da UMH, a iniciativa engloba a FMUSP, a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, além das faculdades de medicina da Universidade do Porto e da própria UMH.

 “A medicalização da sociedade, com o controle dos processos vitais, do sofrimento cotidiano e dos comportamentos, tem sido um objeto crescente de interesse de pacientes, profissionais de saúde e das ciências sociais. A tecnologia e os testes diagnósticos têm ocupado uma posição cada vez mais central na atividade clínica, sendo muitas vezes substituídos pela escuta clínica. Paramos de ouvir o paciente, para dar protagonismo à cultura do diagnóstico. Muitas vezes, a utilização crescente de testes diagnósticos  se incorpora à pratica clínica habitual, por profissionais da saúde com escassa formação para uma leitura crítica das suas limitações”, afirma a professora.

Segundo Maria Pastor, nem todas as provas ou procedimentos diagnósticos utilizados na prática clínica têm validade diagnóstica, aumentando o risco de diagnósticos incorretos, ou desnecessários, levando ao excesso de utilização de serviços de saúde, excesso de tratamento, e a efeitos adversos. Por outro lado, a indústria quer garantir lucros e estabelecer uma agenda específica de saúde pública global, influenciando através de lobbies em todas as esferas públicas”, afirma.

O curso vem sendo ministrado na Faculdade de Saúde Pública desde o dia 10 de setembro e se estenderá até o dia 3 de outubro, com a participação de professores da FMUSP, da FSP-USP, da Universidade do Porto e da UMH. Entre os ministrantes estão grandes nomes da área da Saúde Pública e da História da Ciência, entre eles, Henriques Barros, Carlos Monteiro, IIdefonso Hernández, Mario Sheffer, Simone Diniz, Alicia Matijasevich, Ana Paula Bortoletto, Wolney Conde, Cristina Marques, Rosana Machin, Danilo Borges Paulino, Enrique Perdiguero, Blanca Lumbreras, Lucy Parker,  Abel Novoa, Elisa Chilet e Maria Pastor.

Segundo a diretora do Doctorado Internacional da UMH, o Colégio conta com recursos pontuais próprios das instituições integrantes, além de fontes de financiamento do Banco Santander e da Fundación Carolina do Ministerio de Educación  da Espanha. "No sentido de ampliar essa iniciativa, foi firmado um acordo acadêmico, porém ainda sem destinação de recursos, entre UMH e FAPESP, visando ao co-financiamento bilateral de projetos de pesquisa. Outra cooperação possível será mediante a convocatória PRINT-CAPES, em tratativas preliminares”, afirma a professora.

Recentemente, o professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, também participou de atividades acadêmicas na Espanha, por intermédio do convênio do Colégio Doutoral Tordesilhas, e ressalta a importância da iniciativa. “A Espanha tem estudos sobre demografia médica, que é um dos meus interesses de pesquisa aqui no Brasil. Possui um sistema público de saúde exemplar, assim como outros países europeus, e acredito que essa proximidade traz uma perspectiva de aprendizado mútuo muito relevante para esses países”, disse o professor.