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O Prof. Raul Santos, Associado do Departamento de Cardiopneumologia e Diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da  Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e atual Presidente da Sociedade Internacional de Aterosclerose (IAS), apresentou os resultados de uma pesquisa sobre hipercolesterolemia familiar (HF) no 2019 Scientific Sessions, organizado pela American Heart Association (AHA), de 16 a 18 de novembro de 2019, na Filadélfia, nos Estados Unidos. 

A Hipercolesterolemia Familair (HF) é uma doença silenciosa, hereditária, que altera o processo de remoção do colesterol no sangue e faz com que o organismo remova menos da metade do colesterol circulante. A HF desencadeia até 20 vezes mais distúrbios cardíacos, infartos do miocárdio, entupimentos de artérias coronárias e mortes em pessoas portadoras da doença e ocorrem de 15 a 20 anos mais cedo do que na população em geral. De acordo com o Prof. Raul Santos, “a HF é uma doença frequente, autossômica dominante, ou seja, afeta um em cada dois indivíduos nas famílias portadoras e o maior desafio está em realizar precocemente o diagnóstico e o tratamento”.

O estudo, divulgado no Congresso da AHA e publicado simultaneamente no importante periódico JACC Cardiovascular Imaging, é o resultado de muita pesquisa sobre hipercolesterolemia familiar. Em mais de 25 anos de atividades, o InCor tem um programa de diagnóstico genético e de tratamento de pessoas com essa doença, chamado HiperCol Brasil, além de vários artigos publicados por pesquisadores da FMUSP em revistas científicas internacionais. Inclusive, um estudo em que o Prof. Raul é o principal autor, publicado na revista Lancet Diabetes & Endocrinology de 2016, foi classificado como Top Paper, destaque por receber muitas citações, pela base de dados Web of Science. 

Os estudos sobre a HF avançaram nos últimos anos, possibilitaram identificar pessoas com riscos maiores ou menores de problemas cardiovasculares, permitiram calcular a idade vascular através da visualização de placas de aterosclerose no coração (por tomografia publicado no periódico European Heart Journal Cardiovascular Imaging, e também o aprimoramento das observações das características clínicas, os valores de colesterol e outros fatores de risco. Segundo o Prof. Raul, os resultados são positivos porque mostram que ‘incorporar o diagnóstico genético e tratamentos modernos para a HF, mais eficazes e adequados para cada paciente, influenciam na prática médica, na vida das pessoas e é algo importante a ser discutido para a inclusão no SUS”.

No Brasil, o total estimado é de que 800 mil indivíduos tenham a HF. A Hipercolesterolemia Familiar atinge cerca de uma em cada 250 pessoas no mundo e 90% não são diagnosticadas.

Leia os artigos na íntegra sobre HF: