Acervo biológico será
disponibilizado, futuramente, à comunidade científica do Brasil e do exterior
A Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (FMUSP) iniciou, neste mês de julho, os procedimentos
clínicos e a coleta de amostras do Biorrepositório de Síndrome de Down, o
primeiro destinado ao estudo da condição no Brasil. Coordenado pelo professor
titular de Psiquiatria da FMUSP, Dr. Orestes Forlenza, o projeto de pesquisa
multicêntrico integra a Rede BURITI-SD (Brazilian
Uplift for Research & Innovation for Trisomic Individuals) e será voltado
à preservação de amostras de sangue periférico e dados clínicos de pessoas com a
síndrome, de todas as idades e regiões geográficas do país.
O Biorrepositório de Síndrome de
Down foi aprovado pelo Comitê de Ética da FMUSP e pela Comissão Nacional de
Ética em Pesquisa (CONEP), com a perspectiva de ser um acervo aberto à
colaboração de pesquisadores de todo o Brasil e do exterior. A iniciativa recebeu
investimento de R$ 14 milhões, provenientes de recursos governamentais
(MCTI/CNPq) e da sociedade civil, por meio do Instituto Alana. O acervo de
bioamostras está sediado no Biobanco do Instituto de Psiquiatria (IPq), que
integra o Sistema FMUSP-HC.
“O Biorrepositório de Síndrome de
Down terá papel estratégico no avanço de estudos sobre saúde mental,
envelhecimento, doenças neurodegenerativas e outras comorbidades comuns na
população com trissomia do cromossomo 21”, afirma o Prof. Dr. Orestes Forlenza.
Além de preservar material
biológico, o acervo será parte de uma infraestrutura nacional para estudos
longitudinais, com foco em biomarcadores clínicos, genéticos e imunológicos,
com potencial para apoiar diagnósticos precoces e orientar políticas públicas.
As primeiras coletas serão realizadas com os participantes da Coorte Brasileira
de Pessoas com Síndrome de Down, outro pilar da Rede BURITI.
CIÊNCIA EM REDE
Lançada em 2024 com apoio do
CNPq/MCTI e do Instituto Alana, a Rede BURITI-SD articula mais de 30
instituições acadêmicas e da sociedade civil em uma agenda nacional de pesquisa
e inclusão voltada à síndrome de Down. Além da FMUSP, também integram o projeto
representantes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Faculdade de
Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), com
colaboração da Emory University (EUA), e os Institutos Alana e Jô Clemente.
A estrutura da rede inclui uma
coorte nacional de participantes, um observatório de dados clínicos e
sociodemográficos, uma base de dados de larga escala e o novo biorrepositório, sediado
na FMUSP. A proposta é fomentar pesquisas interdisciplinares, formar recursos
humanos especializados e gerar subsídios para políticas públicas baseadas em
evidências, com foco na promoção da equidade e da cidadania de pessoas com
deficiência intelectual.
Para mais informações sobre a
Rede Buruti, clique aqui.