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Publicado em 21/02/2025

Comer ultraprocessados aumenta em 58% o risco de depressão persistente, aponta estudo da Faculdade de Medicina da USP

Crédito fotos: AdobeStock

Pesquisa analisou dados de mais de 14 mil pessoas de seis capitais brasileiras


A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo, afetando mais de 300 milhões de pessoas ao longo da vida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desse cenário, um estudo conduzido por pesquisadoras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados pode aumentar em até 58% o risco de desenvolver depressão persistente, caracterizada por episódios recorrentes ou contínuos por anos.

A pesquisa, publicada no Journal of Academy of Nutrition and Dietetics, foi realizada a partir de dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), um levantamento multicêntrico que acompanha a saúde de servidores públicos de Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória desde 2008.

Os participantes foram divididos em grupos com base na porcentagem de calorias diárias provenientes de alimentos ultraprocessados. Um grupo consumia entre 0% e 19%, enquanto o outro variava entre 34% e 72%.

“Aqueles que consumiam mais ultraprocessados no início do estudo apresentaram um risco 30% maior de desenvolver o primeiro episódio de depressão ao longo dos oito anos seguintes à primeira análise”, explica a Dra. Naomi Vidal Ferreira, pós-doutoranda da FMUSP e autora principal da pesquisa.

Causa e efeito

De acordo com o estudo, uma das razões pelas quais esses alimentos impactam tanto a saúde mental é a ausência de nutrientes essenciais. “Se uma pessoa consome mais de 70% de sua energia diária proveniente de produtos ultraprocessados, ela acaba deixando de ingerir alimentos ricos em fibras, antioxidantes e vitaminas, que são fundamentais para o funcionamento do cérebro. Além disso, a presença de aditivos artificiais e gorduras saturadas pode desencadear processos inflamatórios, um fator associado ao desenvolvimento da depressão”, alerta a pesquisadora.

Como reduzir os riscos

A boa notícia é que pequenas mudanças na alimentação podem resultar em um impacto significativo. Uma simulação mostrou que substituir apenas 5% do consumo calórico diário de ultraprocessados por alimentos minimamente processados já pode reduzir o risco de depressão em 6%. E ao diminuir 20% desses produtos, optando por alimentos naturais, é possível reduzir para 22% a probabilidade.

“Os resultados encontrados reforçam a importância de adotar uma alimentação mais equilibrada e rica em nutrientes, não apenas para a saúde física, mas também como forma de prevenir transtornos mentais”, destaca a Dra. Naomi Vidal.

O trabalho foi realizado sob supervisão da Profa. Dra. Claudia Suemoto, docente da disciplina de Geriatria e diretora do Biobanco para Estudos em Envelhecimento da FMUSP.

O estudo completo pode ser acessado AQUI.

Assessoria de Comunicação e Imprensa

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